Viajar com saúde

        Partir à descoberta é sempre aquela alegria e aquele entusiasmo que por vezes nos faz esquecer que viajar também está associado a um maior risco de contrair certas doenças. Algumas medidas preventivas básicas de saúde poderão evitar muitas dessas doenças devendo ser cumpridas independentemente da medicação ou das vacinas realizadas. Um dos primeiros passos quando começar a preparar a sua viagem será sem dúvida marcar uma consulta do viajante, pois nada melhor do que um médico especializado para o aconselhar e medicar adequadamente para umas férias com mais saúde.


VACINAS

Um dos principais temas abordado durante a consulta do viajante será a vacinação. As vacinas são uma componente importante de uma boa preparação para uma viagem. É essencial ter as suas vacinas actualizadas segundo o calendário nacional de vacinação (de um modo geral mas principalmente antes de viajar). Nas deslocações para determinados países algumas vacinas podem ser obrigatórias como é o caso da febre amarela. A vacina da febre-amarela e a da febre tifóide estão somente disponíveis nos centros de vacinação internacional, sendo apenas administradas sob prescrição médica.

  • Hepatite A

Esta doença manifesta-se com um quadro de febre, náuseas e desconforto abdominal sendo seguido dias mais tarde pelo aparecimento de icterícia. A gravidade da doença aumenta com a idade podendo passar despercebida em crianças e ser mais grave nos adultos prolongando-se por várias semanas. A transmissão pode resultar do consumo de alimentos ou água contaminados ou ainda pelo contacto com pessoas contaminadas.

A vacinação está fortemente recomendada para viajantes que se desloquem para áreas endémicas principalmente locais com condições sanitárias precárias (África, América Central e do Sul, Ásia  e Indonésia). Algumas pessoas podem estar imunes sem saber (a doença pode por vezes passar despercebida na infância),  por isso convém realizar análises sanguíneas antes de comprar a vacina. Pode ser administrada a partir de 1 ano de idade e necessita de 2 doses com intervalo de 6 meses entre cada.

  • Hepatite B

Trata-se de uma doença transmitida por contacto sexual com pessoas infectadas, por transfusão de sangue contaminado ou ainda pelo uso de agulhas/seringas contaminadas. A vacina faz parte do plano nacional de vacinação em Portugal mas os viajantes não vacinados devem tomar medidas de prevenção evitando relações sexuais desprotegidas, acupunctura e realização de piercings ou tatuagens em zonas de alto risco. Se pretender viajar no âmbito de uma ação humanitária ou outros serviços de saúde, a vacina está fortemente recomendada pois poderá estar exposto a sangue infectado.

  • Febre-amarela

A transmissão da doença é feita pela picada de mosquito em altitudes abaixo de 2300m. Os sintomas iniciais incluem febre, cansaço, cefaleias, mal-estar e dores musculares podendo evoluir para uma fase mais grave com icterícia, hemorragias do trato gastro-intestinal e morte. Não existe nenhum tratamento sendo a vacina a única forma de prevenir eficazmente a doença. 

Devido à gravidade desta doença a vacina é indispensável para uma viagem na África inter-tropical ou na América do Sul tropical (Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guyane, Panama) e está sujeita a regulamentação internacional. Pode ser administrada desde os 9 meses de idade. A eficácia desta vacina é perto de 100%, confere protecção 10 dias após a injecção e é válida 10 anos estando apenas disponível em centros de vacinação internacional. Não existe febre-amarela na Ásia.

  • Febre tifóide

As zonas com maior risco de contrair a doença são os países da África, da Ásia e da América do Sul. A vacina necessita de duas injecções com um mês de intervalo e é válida 3 anos podendo ser administrada a partir dos 2 anos de idade. Ter em atenção que esta vacina não protege a 100% sendo as medidas de prevenção essenciais.

  • Cólera 

Esta doença existe em quase todos os países em desenvolvimento e a melhor forma de prevenção são medidas de higiene: lavar as mãos antes de comer, lavar a fruta, beber apenas água engarrafada ou tratada, consumir preferencialmente alimentos cozidos e evitar o contacto com águas estagnadas.  A vacinação é raramente recomendada sendo apenas indicada para estadias prolongadas em áreas de alto risco principalmente para profissionais de saúde trabalhando durante surtos de epidemia (alguns países da África e certas zonas da Ásia,  Indonésia e América Central). São necessárias duas doses com intervalo de 2 anos.

  • Encefalite japonesa 

Trata-se de uma doença transmitida por picada de mosquito e que acarreta graves consequências (1/3 dos infectados acaba por falecer e 1/3 permanece com sequelas neurológicas irreversíveis). Está por isso fortemente recomendada em caso de estadia prolongada (superior a 30 dias) na Ásia em zonas rurais principalmente na estação da chuva. São necessárias 2 doses  com intervalo de 28 dias sendo recomendado realizar uma dose de reforço 12 a 24 meses depois. Ter em atenção,  que apesar do custo elevado (cerca de 85€ cada dose), esta vacina proporciona uma protecção perto de 100% contra uma doença que pode ser letal.

  • Encefalite da carraça / Encefalite estival

Contrariamente às crenças,  esta doença não é transmitida apenas pelas carraças podendo também ser transmitida através do consumo de leite não pasteurizado. O risco de infecção limita-se às zonas florestais (até uma altitude aproximada de 1400m) que se estendem da Alsácia até à Sibéria e a maioria dos casos ocorre de Abril a Novembro. A doença inicia com um quadro semelhante a uma gripe com febre evoluindo depois para a fase da encefalite em si com paralisia e sequelas permanentes. Para evitar picadas de carraças use calças compridas com calçado fechado quando passearA vacinação é a única “arma” contra esta doença para a qual não existe tratamento e está indicada para estadias superiores a 3 semanas nas zonas de risco principalmente durante o Verão. A vacina pode ser administrada a partir dum ano de idade e existem dois esquemas possíveis: o esquema recomendado estende-se num período de 12 meses e o esquema rápido necessita de 3 doses (aos dias 0, 7 e 21) com reforço aos 12-18 meses e depois todos os 5 anos.


DIARREIA DO VIAJANTE

Tendo em conta que se trata de uma doença transmitida por água ou alimentos contaminados as seguintes medidas de prevenção poderão ser suficientes para evitá-la:

  • Usar a água da torneira exclusivamente para tomar banho e cozinhar (mas não para levar os dentes).
  • Beber apenas água engarrafada ou tratada, isto é, fervida durante cerca de 3 minutos ou desinfectada com tintura de iodo a 2%, na dose de 5 gotas por cada litro de água deixando-se actuar durante 30 minutos (não recomendado se sofrer de doenças da tiróide ou se tiver alegria ao iodo sendo nesses casos preferível usar pastilhas de cloro).
  • Evitar bebidas com gelo confeccionados com água da torneira.
  • Preferir alimentos bem cozidos e evitar alimentos crus (tenha principalmente cuidado com os buffets).
  • Preferir a fruta facilmente descascável ou cozida.
  • Evitar os gelados artesanais e preferir os industriais embalados.
  • Evitar produtos lácteos não pasteurizados.  O leite em pó é seguro se dissolvido em água engarrafada.
  • As refeições enlatadas, a fruta em calda, o pão, os biscoitos,  os bolos secos e o café são seguros.
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